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XV Congresso das Petroleiras e dos Petroleiros da Bahia: fortalecer a organização passa também pelos espaços da categoria

junho 3, 2026 | Categoria: Notícia


Por Elizabete Sacramento – Coordenadora Geral do Sindipetro Bahia

O encerramento do XV Congresso das Petroleiras e dos Petroleiros da Bahia reafirma um movimento que vai além da síntese de debates e deliberações: expressa a continuidade de um processo coletivo de organização política da categoria diante das transformações profundas que atingem o setor energético e o mundo do trabalho.

Em um cenário de mudanças estruturais na indústria do petróleo, disputas em torno da soberania energética e redefinições no papel das empresas estatais, a categoria demonstrou capacidade de leitura crítica da realidade e de formulação de caminhos que articulam defesa de direitos, valorização do trabalho e compromisso com um projeto de desenvolvimento para o país.

Entre as decisões aprovadas no plenário, uma se destaca pela dimensão política que carrega: a definição de que os próximos congressos estaduais na Bahia serão realizados em espaços próprios da categoria petroleira. A medida traduz uma compreensão que não é apenas organizativa, mas estratégica – a de que fortalecer a luta das trabalhadoras e dos trabalhadores também passa por fortalecer os espaços que pertencem a trabalhadores.

A experiência pioneira e exitosa deste Congresso realizado no CEPE Salvador evidenciou esse potencial. O ambiente proporcionado por uma estrutura construída e mantida pela categoria favoreceu a integração entre participantes, ampliou o sentimento de identidade coletiva e reforçou a importância de preservar e ocupar esses espaços como parte da própria ação sindical.

Essa escolha dialoga com uma realidade mais ampla. Em diferentes regiões do país, clubes, centros de convivência, áreas de lazer e equipamentos de formação vinculados aos trabalhadores cumprem um papel que ultrapassa a dimensão da infraestrutura: constituem-se como espaços de encontro, organização e fortalecimento dos vínculos entre trabalhadores e trabalhadoras. Na Bahia, os Clubes dos Petroleiros representam parte importante dessa construção histórica, com destaque para o CEPE Salvador e o CEPE 2004, em Salvador, que integram esse conjunto de espaços forjados coletivamente pela categoria e voltados à convivência, à integração e à organização sindical.

Optar por esses locais como prioridade para os próximos encontros estaduais significa reafirmar uma coerência política fundamental: a de que projetos voltados à classe trabalhadora precisam estar ancorados também em estruturas que expressem concretamente essa identidade. Não se trata apenas de ocupar espaços, mas de reconhecer neles um patrimônio coletivo, que carrega memória, luta e pertencimento.

Essa perspectiva se fortalece quando observamos o papel das entidades petroleiras que, ao longo dos anos, têm sustentado a organização da categoria e contribuído para a manutenção desses espaços como ambientes vivos de convivência e mobilização. O uso político e social dessas estruturas reforça sua importância não apenas simbólica, mas prática, na construção cotidiana da unidade das trabalhadoras e trabalhadores.

O XV Congresso, ao consolidar essa decisão, indica um caminho de continuidade: o de que a organização sindical não se limita aos espaços institucionais formais, mas se enraíza também nos territórios construídos pela própria categoria. São esses espaços que favorecem a aproximação, o debate e a elaboração coletiva, elementos indispensáveis para qualquer processo de fortalecimento da luta sindical.

Ao final, o que se reafirma é uma convicção que atravessa toda a trajetória da categoria petroleira: não há defesa consistente dos direitos de trabalhadores sem organização coletiva sólida, e não há organização sólida sem a valorização dos espaços que materializam essa identidade.

O encerramento do Congresso, portanto, não representa interrupção, mas continuidade. Continuidade de uma construção histórica que segue se renovando diante dos desafios do presente, mantendo como horizonte a defesa da soberania energética, da Petrobrás pública e integrada e da dignidade de quem trabalha no setor de petróleo no Brasil.

Petroleiros e petroleiras, é luta – unidade – e resistência!

Elizabete Sacramento é graduada em Química, trabalhadora concursada da Transpetro e primeira mulher eleita Coordenadora Geral do Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras da Bahia.

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