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Publicado: 20/04/2018 | 2271 visualizações

Câmara de Vereadores de Madre de Deus vai encaminhar para aprovação moção de repúdio contra a venda da RLAM

A decisão da Petrobrás de vender a Refinaria Landulpho Alves, anunciada pela empresa em um comunicado,  acabou sendo o ponto central que pautou as discussões na audiência pública sobre o desmonte da Petrobrás na Bahia, que aconteceu na manhã da quinta-feira, 19/04, na Câmara Municipal de Madre de Deus.
 

Os vereadores da cidade, que tem seu comércio e os empregos da população, diretamente ligados e dependentes do refino e  exploracão do petróleo, externaram uma grande preocupação com a medida. “Este ano o orçamento para Madre de Deus foi de R$ 140 milhões, e mais de 70% deste orçamento vem da Petrobrás, através de royalties e ICMS, imaginem vocês como vai ficar a situação da cidade sem a estatal", ponderou o vereador Val Pecas, responsável pela solicitação da audiência. Ele elogiou a luta do Sindipetro Bahia, junto com parlamentares, prefeitos e governadores, que conseguiu adiar o fechamento das FAFENS da Bahia e Sergipe.

 
O ex-secretário estadual de justiça da Bahia, Carlos Martins, afirmou que a decisão da Petrobrás decreta o fim da cidade de Madre de Deus. Para ele "não existe soluções simples para problemas complexos, por isso é preciso atuar em todas as áreas-mobilizações, politica e juridica- para reverter o desmonte dessa grande empresa".

 
O diretor do Siticcan, Claudio Guedes, denunciou as reiteradas tentativas de retirada de direitos dos trabalhadores da construção civil, que atuam nas áreas da Petrobrás. “O governo golpista está rasgando a CLT e a convenção coletiva dos trabalhadores. É preciso reagir com mobilizações e paralisações", afirmou.

 
O secretário de Organização do PT, Anisvaldo Daltro,  fez uma comparação da Petrobrás no governo Lula e nos dias atuais, demonstrando o papel social que a empresa exercia no governo democrático e popular e lamentando “onde chegamos agora com o demsonte total de uma grande e lucrativa empresa”. Ele defendeu uma Petrobrás 100%  estatal “que teria forças para fazer rodar a economia brasileira”.

 
O coordenador do Sindipetro Bahia, Deyvid Bacelar, denunciou que Temer ofereceu recentemente, em um balcão de negócios na China,  57 empresas estatais a preço de banana. "Na época de Dilma tinha gente que reclamava, batia panela, por causa do preço da gasolina, que era vendida  por cerca de R$ 2,30. Agora, mudaram a política de preços dos derivados do petróleo no Brasil para favorecer outras distribuidoras que seguem a lógica do mercado, e o que temos? A gasolina a quase R$5,00 o litro e  o gás de cozinha sendo vendido por mais de R$70,00, o botijão”. Segundo Deyvid “estão mudando a lei do gás para prejudicar as termelétricas, e a FAFEN será também muito prejudicada. O objetivo deles é privatizar tudo. Estamos atravessando uma ponte para o passado, em pouco tempo regredimos 20 anos”.
  
Deyvid também falou sobre a privatização do parque de refino da Petrobrás, que vai atingir principalmente as refinarias Landulpho alves, Abreu e Lima,  REPAR E REFAR, frisando que o “desmonte vai além, atinge todos os terminais logisticos da Transpetro, porque o que querem vender é a soberania nacional, o patrimônio do povo brasileiro”.

O diretor do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa, criticou duramente a venda da RLAM e da FAFEN e também de outras unidades da Petrobrás como o campo de Miranga. “Uma coisa é ter a Petrobrás na região, a outra é ter uma multinacional, como a Shell, por exemplo, que está aqui só para lucrar e não tem nenhum interesse em nosso país”. Radiovaldo afirmou que esse novo cenário, a partir do desmonte e provável privatização da empresa, vai mudar radicalmente e de forma negativa, a vida  da população e das cidades de Madre de Deus, São Francisco do Conde,  Candeias, Camaçari, Alagoinhas e muitas outras.

O vereador Juscelino Jesus, que presidiu a audiência, anunciou que  vai encaminhar para  aprovação na Câmara uma moção de repúdio contra a venda da RLAM.  A ideia é criar uma frente suprapartidária para evitar a entrega da RLAM à iniciativa privada, pois haverá grandes prejuízos às cidades situadas no entorno da refinaria.
 
A maioria dos vereadores esteve presente à sessão.


Fonte – Sindipetro Bahia