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Publicado: 19/05/2018 | 1382 visualizações

7º Congresso - Painel I levanta debate sobre desindustrialização

O primeiro painel do 7º Congresso dos Petroleiros da Bahia iniciou na manhã deste sábado (19/05)  com as  presenças do ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, da supervisora técnica do DIEESE, Ana Georgina Dias, do economista e pesquisador do INEEP, Rodrigo Leão e de Gerson Castellano, membro da Federação Únicas dos Petroleiros – FUP.

Sérgio Gabrielli inicou o painel fazendo uma retrospectiva das operações da estatal e de como a política de desinvestimento foi sendo super valorizada, tomando uma proporção gigantesca no decorrer das gestões mais recentes.  “Pelas nossas mãos foi descoberto o pré-sal. E quando abrimos mão disso, como esta gestão está fazendo, nós perdemos a capacidade de controlar nosso futuro. Assim ficamos à mercê de investimentos estrangeiros sem a nossa principal fonte de energia e riqueza e sem a capacidade de a Petrobrás ser o centro do desenvolvimento da sociedade”.

Histórico - No Plano de Gestão e Negócios da petroleira entre 2007 e 2011, a estratégia era “liderar o mercado de petróleo, gás natural, derivados e biocombustíveis na América Latina, atuando como empresa integrada de energia, com expansão seletiva da petroquímica, da energia renovável e da atividade internacional”. A partir do governo Temer e gestão de Pedro Parente, essa política foi, porém, destruída, dando lugar a uma visão curto prazista e subalterna na disputa geopolítica.

O economista Rodrigo Leão traz um apanhado geral das operações da Petrobrás na Bahia e ressalta como na gestão de Gabrielli a empresa avançou em diversas frentes. “Na gestão dele, nós, economistas, passamos a entender de estaleiros, de indústria naval, de segurança no trabalho e de uma série de frentes que a Companhia avançava. Encontrávamos uma outra empresa em operação. Uma empresa em crescimento, em desenvolvimento”, pontuou. Rodrigo ressalta ainda que as privatizações previstas pelo plano de negócios 2017-2021 apontam para a retirada completa de investimentos da empresa das áreas de petroquímica, biodiesel, termelétricas e fertilizantes. Nas áreas de transporte e logística também há grandes reduções.

Mais grave do que a redução dos investimentos foi a política de venda de ativos intensificada por Parente. Segundo informou a Petrobrás no seu último PNG, a meta de desinvestimentos para o biênio 2017-2018 foi de 21 bilhões de dólares. 

Um indicador que materializa a mudança de visão e de estratégia são as vendas de ativos em território nacional que já somam US$ 18,85 bilhões. A maior venda aconteceu na área de transporte. A Petrobras vendeu 90% das ações da Nova Transportadora do Sudeste (NTS) por US$ 5.08 bilhões para a Nova Infraestrutura Fundo de Investimentos em Participações (FIP), ligada à BrookfieldInfrastructure Partners (BIP), que tem sede em Bermuda.

Ana Georgina Dias, supervisora técnica do DIEESE, contextualiza e discursa no sentido de desmitificar o senso comum de que toda empresa que é pública é menos lucrativa e eficiente do que organizações privadas. “É uma forma invertida de valores. É extremamente conveniente este discurso num momento que uma empresa genuinamente brasileira passa por um processo de avanço privatista e de desmobilização de ativos, que vai gerar impactos concretos na vida das pessoas com corte de emprego e transferência de renda”, ressaltou. 

Além do Peru, a Petrobrás já negociou ativos em outros oito países: Angola, Argentina, Bolívia, Chile, Estados Unidos, Japão, Tanzânia e Uruguai.

Na oportunidade, Radiovaldo Costa, diretor do Sindipetro-Bahia fez uma retrospectiva de como o sindicato, desde janeiro, tem atuado contra o processo de desmonte e entrega da Petrobrás. 

 

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