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Publicado: 26/06/2018 | 6221 visualizações

Após visita de parlamentares à RLAM, Petrobrás acena com retomada de operação das refinarias com carga máxima

As comissões de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) e a de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara Federal (CTASP), apesar de todas as dificuldades criadas pela gerência da Refinaria Landulpho Alves, conseguiram realizar visita às instalações da RLAM, na manhã da segunda-feira, 25/06.

As comissões representadas, respectivamente, pelos deputados federais Jorge Solla (autor do requerimento) e Nelson Pelegrino, ambos do PT-BA, buscavam entender porque, em meio à tamanha crise dos combustíveis, a segunda maior refinaria do país está produzindo com apenas 53% da sua capacidade.

Também participaram da visita, a secretária de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Luiza Maia, que teve dificuldade para entrar na refinaria. A imprensa foi impedida de acompanhar a inspeção.

Do Sindipetro Bahia estavam presentes o coordenador da entidade, Deyvid Bacelar, e os diretores George Arleo e Rosangela Maria, além do diretor licenciado do Sindipetro, Radiovaldo Costa. Representando a Petrobrás estavam o Gerente Geral, Alexandre Coelho Cavalcanti, o Gerente Geral Adjunto, Candido Luís Queiroz da Silva, o Gerente Executivo de Logística, Cláudio Mastella, e o Gerente Executivo da Industrial, Luiz Valente, além de dois assessores da presidência da estatal.

De acordo com Solla “a visita está inserida no escopo das reflexões que o Congresso vem fazendo sobre a absurda política de preços praticada pela Petrobras”, que segundo ele “não é boa para a Petrobras, que tem lucratividade maior no litro do combustível, mas está lucrando menos porque vende menos, e não é boa para o povo brasileiro, que está pagando o combustível mais caro da história nas bombas, servindo apenas ao interesse golpista das petrolíferas estrangeiras”. 

Para Pelegrino, a greve dos caminhoneiros obrigou a Petrobras a recuar na política de reajuste diário dos preços.  “Temos de perseguir a política dos governos de Lula e Dilma, dos preços administrados, que estimulava o refino, a produção interna, e permitia à Petrobras fazer os investimentos necessários”.

De acordo com Deyvid, os argumentos da gerência para justificar a carga baixa nas refinarias não convenceram. No final, só conseguiram reforçar o que o Sindipetro Bahia e a FUP já vinham denunciando  “que a política de preços implementada pela estatal após o golpe de 2016 prejudicou a Petrobrás e os consumidores, favorecendo apenas as importadoras – mais de 300 que invadiram o mercado brasileiro se beneficiando com os reajustes diários dos preços dos combustíveis”.

Apesar dos impasses e dificuldades, as comissões e o Sindipetro Bahia saíram da visita com uma boa notícia: a partir do mês de julho, as refinarias da Petrobrás voltarão a operar com carga máxima, retomando o abastecimento de todo o mercado nacional.

“É importante ressaltar, pondera Deyvid, o papel da sociedade, dos caminhoneiros, dos parlamentares e dos petroleiros nesse desenlace. Foi a pressão conjunta que levou, de certa forma, a direção da Petrobrás a rever a sua desastrosa política de preços. Quanto às importadoras, como agora não há mais reajustes diários dos preços dos combustíveis, o mercado brasileiro deixou de ser atrativo para elas, que só visam o lucro”.

Os parlamentares farão relatório sobre a visita à RLAM e terão nova audiência com o governador Rui Costa.

 

Acompanhe o que aconteceu durante a visita -  Os gerentes fizeram apresentações explicando o fluxo de recebimento do petróleo, estocagem e processamento. Os argumentos utilizados por eles para justificar a redução da carga nas refinarias já são bastante conhecidos pela força de trabalho. Eles alegaram que a RLAM estava operando com carga reduzida por questões operacionais (problemas nos equipamentos), o que não há nenhuma confirmação nesse sentido.

Em relação à destilação, a justificativa foi que a unidade estava operando em baixa porque ela gera uma grande quantidade de óleo combustível e que é mais interessante para empresa vender petróleo bruto a vender óleo combustível, que tem um valor menor.

Este argumento foi contestado pelo pesquisador do Ineep, Eduardo Pinto, que, utilizando os dados do balanço da Petrobras, mostrou que a rentabilidade da estatal tem sido menor na exportação de petróleo cru do que no refino. Segundo ele, “o custo de refino é de R$ 0,96 por litro, ao passo que o custo para exportação de petróleo cru é de R$ 0,58 por litro (custo de produção do petróleo e gás somado ao custo de transporte); no entanto o preço médio de todos os derivados vendidos no mercado interno é de 1,61 real por litro, bem superior ao preço de 1,17 real por litro do petróleo brasileiro exportado. Com isso, para cada litro de derivado produzido a Petrobras lucra 0,65 real por litro, ao passo que para cada litro de petróleo exportado a empresa lucra 0,59 real por litro”.

Para maior esclarecimento confira clicando no link da tabela abaixo:

TABELA 

 

Fonte - Sindipetro Bahia com informações da Revista Fórum (Tabela)