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Publicado: 24/01/2019 | 764 visualizações

Nada a comemorar: mais de 20% dos aposentados no Brasil ainda precisam trabalhar

Aproximadamente 21% da população idosa que já se aposentou no Brasil continua ativa no mercado de trabalho, de acordo com os dados divulgados em dezembro de 2018, por uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Ainda segundo o levantamento, 47% dos aposentados ainda atuam no mercado de trabalho devido a necessidade financeira, porque o valor do benefício do INSS não é suficiente para pagar as contas. Destes, 45% são das classes A/B e 48% das classes C/D/E.

Humberto Paixão, 71, trabalhava no setor de movimentação de carga da Petrobrás, e contribuiu com o INSS aproximadamente 25 anos. Ele é um desses aposentados que encontram dificuldade para fechar as contas no final do mês apenas com o dinheiro que recebe da sua aposentadoria, apesar de receber também via Petros. “Dá para viver, mas o ideal seria ganhar um pouco mais”, conta o aposentado.

Uma realidade muito diferente daquilo que ele sonhava para a sua aposentadoria. “Eu esperava que fosse melhor. Do jeito que as coisas estavam se desenvolvendo no Brasil, eu esperava viver uma situação melhor”, lamenta.

Além de Humberto, muitos outros aposentados estão buscando uma renda suplementar, mas esbarram na dificuldade de entrar no mercado de trabalho. Conforme as informações da pesquisa divulgada pelo SPC Brasil, 43% dos aposentados tiveram dificuldade em conseguir um emprego: 30% deles acreditam que o motivo é o preconceito pela idade avançada.

Ulécio de Oliveira, 52, que é ex-operador de produção da Petrobrás, também reclama da aposentadoria. Para ele, é impossível viver confortavelmente com o dinheiro da aposentadoria. “Sempre que eu e meus amigos precisamos comprar alguma coisa mais cara, temos que pegar um empréstimo. Nós não ganhamos muito. O valor só é suficiente para fechar as contas”, reclama.

De acordo com Marise Sansão, diretora do Setor de Seguridade Social, Políticas Sociais e Políticas para o Idoso, do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro), o momento é muito delicado para quem está prestes a se aposentar.

“A situação do aposentado do Sindipetro é muito difícil. Hoje nós temos ameaças muito graves, como a privatização da Petrobrás, a resolução 23 e 25 que pretende extinguir o nosso plano de saúde, temos um déficit que precisa ser equacionado, além da grande ameaça de acabar com os planos Petros 1 e 2, e ser criado o plano Petros 3, que é de contribuição definida”, aponta.

Marise critica o plano Petros 3, ao dizer que traz insegurança para o aposentado. “A contribuição definida ela é individual, não é solidária como é hoje (que é mais seguro). A contribuição definida não oferece essa segurança”, explica.

O caminho é a união e a luta

Para Marise é preciso retomar a união dos associados para que realizem protestos e lutem pelo retorno do Ministério da Previdência. Ela ainda diz que os aposentados não possuem motivos para comemorar no 24 de janeiro, dia do aposentado. “A maioria dos aposentados vive de empréstimo consignado. A verdade é essa”, destaca.

O também diretor do Setor de Seguridade Social, Políticas Sociais e Políticas para o Idoso, do Sindipetro, Gilberto Silva, concorda que a vida para os aposentados e pensionistas não está nada fácil, “no momento em que mais necessitam de tranquilidade, eles precisam enfrentar adversidades ainda maiores, muitos continuam ajudando filhos e netos e com o atual governo que já sinalizou a retirada de direitos para esse segmento, a tendência é piorar”.

Para o Conselheiro Deliberativo eleito da Petros, Paulo César Martin (PC), o 24 de janeiro deve ser um dia de reflexão e mobilização “para esse importante segmento da sociedade brasileira, que sofre com a baixa remuneração de seus benefícios e que, mais do que nunca, precisa se unir aos demais segmentos da sociedade para lutar contra as mudanças que virão com a reforma da previdência, que vai reduzir os benefícios e também prejudicar os futuros aposentados, com o aumento da idade e tempo de contribuição para aposentadoria, enquanto as grandes empresas – as maiores responsáveis pelo déficit da previdência - continuam sonegando e recebendo do governo o perdão das suas dívidas”. Nesse contexto, PC ressalta a importância de participar das lutas e fortalecer o sindicato da categoria.

FONTE: SINDIPETRO BAHIA