FUP realiza balanço da campanha reivindicatória em Salvador
fevereiro 11, 2026 | Categoria: Banner Principal, Notícia
O encontro aconteceu na Bahia, onde foram analisadas a última campanha reivindicatória e a greve de dezembro de 2025, bem como desenhadas estratégias para a luta petroleira neste ano
[Da Comunicação da FUP]
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) realizou seu Seminário de Planejamento para o ano de 2026 nos dias 3 e 4 de fevereiro em Salvador, na Bahia. Diretores e diretoras da federação avaliaram a campanha salarial de 2025, a greve de dezembro e construíram um roteiro de ações para os próximos meses, sobretudo até a realização do Congresso Nacional da FUP (Confup), que acontece este ano.
Os sindicatos avaliaram os avanços e as dificuldades do processo grevista em cada uma de suas bases e também do ponto de vista nacional. Pautas centrais como os próximos passos para a solução definitiva dos equacionamentos da Petros, assim como as negociações sobre o Plano de Cargos e a PLR, foram abordadas.
A força do movimento
Os sindicatos realizaram um balanço da campanha reivindicatória e do movimento paredista de dezembro. O fato de ter ocorrido nessa época, tão próxima do Natal e das festas, dificultou o processo e isso é entendimento coletivo dos sindicatos. A tática de adiamento da campanha esteve atrelada a uma expectativa de que seria possível uma solução definitiva para os PEDs, a partir do ano contábil seguinte, mas, posteriormente, ficou claro que, mesmo virando o ano, a empresa não apresentaria uma solução definitiva, mas sim avanços para a continuidade dessa construção. No entanto, o jogo já estava jogado.
A FUP planejou uma greve em crescimento, inspirada na greve de fevereiro de 2020, com a entrada gradual das diversas bases. Em linhas gerais, o movimento surpreendeu a gestão do Sistema Petrobrás e o governo, que não esperavam uma adesão com a intensidade que teve de parte dos trabalhadores e demonstraram despreparo na organização da contingência e no enfrentamento interno ao movimento. A força da mobilização levou a empresa a seguir negociando com a FUP mesmo durante a greve, construindo uma proposta que veio a ser apresentada, assim como as vitórias da carta-compromisso para resolver os PEDs e da instalação do Fórum Brasil Soberano.
Um dos grandes objetivos estratégicos da greve era furar o bloqueio que existia na gestão da Petrobrás, liderada por Magda Chambriard, perante à sociedade e ao Governo Federal, e, no entendimento da FUP, isso foi alcançado. Mesmo com o desgaste sofrido pela Federação junto ao governo, ficou evidente que há um problema instalado na Petrobrás, entre a gestão Magda e os trabalhadores e as trabalhadoras. A entidade avalia que conseguiu chamar a atenção para esse desgaste, mas ainda não foi possível entender os motivos, nem resolvê-los.
Realismo diante da intransigência
Na avaliação dos sindicatos, mesmo com a greve forte, no cenário que estava dado e perante o risco de dissídio, a manutenção do enfrentamento ampliava o risco de perda de tudo o que já havia sido conquistado. A Federação entendia que a saída da greve na véspera do Natal geraria insatisfação, assim como a contradição entre os lucros extraordinários destinados pela companhia aos acionistas e a proposta econômica que a gestão oferecia aos trabalhadores. Mas chegar ao dissídio significaria um cenário muito ruim. Na avaliação dos sindicatos, foi acertada a decisão de absorver o desgaste e a insatisfação das bases para evitar a piora do cenário.
O que muitos acreditavam ser um “blefe”, a empresa provou o contrário, dando entrada no dissídio coletivo, retirando o acordo da negociação dos dias da greve para aqueles que continuaram no movimento. Por isso foi necessário que a FUP deixasse claro, inclusive em vídeo publicado, que acompanharia os sindicatos em greve, independentemente de não seguirem o indicativo do Conselho Deliberativo, com o objetivo de reverter a situação.
Expectativas e frustrações
A diretora da federação, Cibele Vieira, afirma que entende a frustração da categoria em encerrar a greve tão próximo do Natal, mas reforça que o risco era muito grande. “Não fossem as bases que aprovaram o acordo no dia 23, teríamos todos ido para o dissídio. Quando alguns começaram a entrar, essa possibilidade foi jogada para frente propositalmente para dar tempo de todos encerrarem a greve antes do início do processo, isso é nítido. Não foi a primeira, nem será a última vez em que tivemos esse cenário de parte dos sindicatos não aprovarem o acordo e nem o encerramento da greve juntos com os demais”, declara.
A diretora da FUP destaca que o contexto também é importante na hora de avaliar os encaminhamentos tomados. Assim como em outras greves realizadas entre 2003 e 2015, durante os governos progressistas, alguns elementos se repetiram na greve de dezembro de 2025, como o fato de o indicativo de aceitação da proposta conquistada não ter sido aprovado ao mesmo tempo por todos os sindicatos, devido ao tamanho e à complexidade da categoria. Outro aspecto é a dificuldade da categoria perceber o momento de recuar. “Nos governos progressistas é momento de avançar, a categoria faz o movimento ‘sem medo’ de represália. Isso torna mais difícil perceber o momento do recuo, uma vez que a pauta jamais é conquistada em sua integralidade e sempre fica a dúvida se poderíamos ter avançado mais. Logo após a divulgação do indicativo, grande parte da categoria focou apenas no que deixou de vir, sem olhar tudo o que sim veio”, explica Cibele.
Nesse sentido, a diretora reafirma um princípio da FUP: “A gente constrói as estratégias no diálogo permanente entre a direção e a base e nessa retroalimentação surge o alinhamento da nossa ação política. É necessário sempre ter um diálogo transparente e aberto com os grevistas, poder explicar ponto a ponto os avanços conquistados e o andamento das negociações”.
O balanço realizado no seminário de planejamento da FUP apontou que o movimento obteve êxito e evidenciou a força da categoria petroleira, que demonstrou que está disposta a fazer o enfrentamento sempre que necessário. A greve somou forças para as negociações de 2026 e para a campanha presidencial, já que deixou claro que não há contradição entre lutar pelos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras e garantir a imprescindível reeleição de Lula.
2026 de negociações importantes
Durante o seminário, também foram planejadas as ações da FUP, inclusive a realização do Congresso da Federação. No primeiro semestre de 2026, a FUP terá pela frente pautas muito importantes. Por um lado, a mediação no Tribunal de Contas da União (TCU) em busca de uma solução definitiva para o fim dos equacionamentos da Petros, objetivo que foi uma das pautas centrais da greve do fim do ano passado e que resultou numa carta compromisso oficial da gestão da Petrobrás para a resolução desse problema. Na missiva, a empresa formalizou sua corresponsabilidade e o compromisso de construir uma solução conjunta.
A conquista é fruto da greve da ativa e da mobilização dos aposentados, que realizaram duas semanas de vigília na porta do Edisen, sede administrativa da Petrobrás no Rio de Janeiro. A mediação no TCU deve ocorrer em fevereiro e tem um prazo de seis meses para a conclusão. A FUP terá papel ativo na defesa dos aposentados e pensionistas, assim como a Comissão Quadripartite, que a Federação integra, e tem liderado as articulações na busca pela solução definitiva para o fim dos PEDs.
Outra pauta importante do ano é o debate sobre o novo Plano de Cargos (PCAC e PCR), que tem prazo de 120 dias para ser concluído. Além disso, terão início as reuniões do Fórum Brasil Soberano, que serão duas por semestre. Em breve, será definida a primeira rodada, considerando que a data-base do Acordo é setembro. Em paralelo a isso, serão realizadas as reuniões das comissões de negociação permanente e de acompanhamento do ACT.


