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Publicado: 30/08/2018 | 712 visualizações

Argentina em queda livre com a direita no poder: Macri pede adiantamento ao FMI

A Argentina já superou a mera crise econômica e foi para o estágio do abismo em queda livre. Ninguém sabe como isso vai acabar, mas o que todos concordamos é que a realidade do país é financeiramente desastrosa e à beira do colapso. A primeira verdade que o direitista Mauricio Macri disse depois de dois anos e meio de um ajuste brutal e repetido, onde os argentinos perderam 50% do poder adquirido, é que agora chegam os meses mais difíceis. Aterrorizante. Pior do que já está?

Nesta quarta-feira, o presidente divulgou uma mensagem de dois minutos onde comunica que pediu um adiantamento ao FMI para “acalmar os mercados”. “Sei que estas situações tormentosas geram angústias e preocupação em muitos de vocês, sei e entendo. Mas saibam que estou tomando todas as decisões necessárias para cuidar disso. Estamos fazendo tudo o que está a nosso alcance para seguir em frente”, disse Macri.

A resposta dos mercados foi o dólar continuar disparando: um dólar vale hoje quase 35 pesos. Na época de Cristina Kirchner, valia 9,75 pesos, um aumento de 250% desde que Macri assumiu. As ações de empresas argentinas na Bolsa de Nova York despencaram e o risco-país ultrapassou os 700 pontos. Para se ter uma ideia, no Brasil, quando a tensão pré-impeachment alcançou seu auge, o risco-país atingiu 505 pontos.

A queda recorde da atividade econômica, que em maio foi de 5/8%, foi superada pela de junho, que desceu ainda mais: 6,7%. Julho não será exceção. Se, poucos meses atrás, o argentino médio não conseguia chegar ao final do mês por causa das altas taxas, dos aluguéis e despesas que subiram em apenas 32 meses para valores insanos, atualmente a renda das famílias não consegue passar da primeira quinzena.

As ações de empresas argentinas na Bolsa de Nova York despencaram e o risco-país ultrapassou os 700 pontos. Para se ter uma ideia, no Brasil, quando a tensão pré-impeachment alcançou seu auge, o risco-país atingiu 505 pontos

A mídia comercial tenta maquiar a realidade argentina com sugestões para “driblar” a crise. O “diário oficial” de Macri, o Clarín, promove como tendência entre as crianças o aluguel de brinquedos. O portal Infobae dá “dicas” sobre como gastar menos gás (como não “exagerar” em abrir as janelas para não prejudicar a calefação) e fazer compras menores ou “inteligentes” para economizar. O La Nacion aconselha menos compras e costurar suas próprias roupas. O canal chapa-branca El Trece bateu todos os recordes ao ensinar as pessoas como reaproveitar o pão duro.

O pão é um dos itens cujo preço mais subiu, graças ao aumento absurdo no preço da farinha de trigo. O saco de 50 quilos de farinha subiu 188% em quatro meses: em fevereiro, custava 250 pesos e agora está sendo vendido a 720 pesos, superando os preços internacionais. A inflação projetada para o ano foi de 15,7%, em 7 meses chegou a 19,6%. Somente a Venezuela, o Sudão do Sul e o Sudão superam a Argentina em países com mais inflação em todo o mundo.

A mídia comercial, para puxar o saco do governo, se esmera em sugestões para “driblar” a crise, como ensinar a reaproveitar o pão duro. Macri cortou até a dose de vacina contra meningite para crianças de 11 anos

Para toda essa queda financeira, se somam as demissões e a repressão aos protestos de trabalhadores. Há três semanas que 57 universidades nacionais estão em greveexigindo um salário digno e, mais grave, o governo cortou até a dose de vacina contra meningite para crianças de 11 anos. Sinistro. A maior central de trabalhadores argentina, a CGT, convocou nesta quarta-feira uma greve geral contra as medidas do governo para o dia 25 de setembro.

Na semana passada, milhares de argentinos tomaram as ruas de Buenos Aires. O motivo? Nenhum dos acima mencionados. O slogan foi a “busca e apreensão” das propriedades de Cristina Kirchner. No dia seguinte, o poder político-judicial liderado pelo juiz Bonadío fez o desejo de parte da cidade e a casa de Cristina foi invadida.

Não há pão, mas não nos falta um circo.

P.S.: Todas as fontes de mídia deste post são de veículos pró-governo. Imagine se não fossem.